Mônica Sampaio

sábado, 9 de maio de 2009

Será mesmo preciso renovar as vozes do mercado?



Não é nada contra a renovação do mercado publicitário de vozes; calma aí, coleguinhas!
Vamos pensar, começando por algumas contas básicas.
Já reparou quantas vozes estão no ar, em milhares de rádios espalhadas pela Internet? E nos dials? Nas TV's? Nos sites de divulgação de voz, como o locutores.com.br? Será que entre estas vozes TODAS (!), não dá para encontrar as vozes necessárias para diversificar o casting de uma produtora ou de um estúdio de gravação?
Pois é, vira e mexe, tem alguém - diga-se de passagem, de nome completamente desconhecido, seja como produtora ou como estúdio, ou como profissional da voz ou produtor do meio - procurando NOVAS VOZES!
E são trabalhos convenientemente "pulverizados", para não serem visualizados, e contabilizados.
Por que será que eles precisam TANTO (!) de NOVAS vozes?
Vamos ver isso mais lá na frente.
Os desavisados logo mandam suas "demos" na esperança de serem chamados em breve para trabalhar ... enquanto, do outro lado, um garoto, adolescente até, se diverte bastante, "se fazendo de importante" no meio da produção radiofônica.
Assim como já falei do locutor que se vende por preço de banana da xepa, a Internet - e os sites de relacionamento - fabricam também os PRODUTORES FAKES!
Só no Orkut, reparou quantas comunidades para congregar locutores existem? Pois os tais produtores e donos de estúdio são figurinhas fáceis nestes ambientes, com seus chamativos anúncios: "Hey! Estou precisando de novas vozes! Envie sua demo para o email "tal" ...!"
Vamos abrir a mente, porque não estou generalizando, hein, gente!
Mesmo porque não estou falando só dos produtores "fake".
Tem as famosas propostas para “TROCA DE VOZES”. E outras historinhas.

Tem aqueles caras, também, que pedem para você gravar o que ele chama de “piloto” para mostrar ao cliente, e, que assim que for dado o “ok, você grava pra valer e, lógico, recebe o seu cachê!” E tchan tchan tchan tchan! O cara some!!!!!
E aquele mais cara “dura” que pede pra você gravar de graça – a título de fazer “TROCA DE VOZES”?
Fui abordada por um “coleguinha” neste sentido. Nem acredito que ele estava de má fé; foi falta de profissionalismo mesmo.
- “Oi, Mônica; vamos fazer troca de vozes?”
- “ Hein, como é isso?! – perguntei na ingenuidade.
- “Funciona assim: eu tenho uma rádio na web, e produzo comerciais aqui na minha cidade também. Eu mando um texto de um cliente meu, e aí, você grava pra mim. Quando você tiver um cliente, eu gravo pra você.”
- “Hum ... simples, né ... e quem recebe o pagamento do teu cliente, eu ou você?” – perguntei, já sabendo a resposta.
- “Eu” – não disse que ele iria responder isso? – Mas, quando você me enviar o teu, eu gravo e você recebe.”
- “ Mas o meu cliente quer gravar comigo; afinal, ele me procura para isso.”
- “Então, só você grava o meu.” – ele concluiu.
-“ Ah, tá; mas você continua recebendo pelo que eu gravar? – perguntei num tom irônico, que ele não entendeu, porque estávamos no MSN, por escrito.
-“ É.”

Bem, acho que eu tenho cara de trouxa ...



Mas, em todo caso, até que me prove o contrário, acho que ele falava na ignorância mesmo. Mas tem os “mauca” (*); e com esses, o negócio é “ashi barai” mesmo! É pernada no incauto!
(*) mauca = mau caráter

Você sabe por que está acontecendo isso? Vou chutar:
Muita sede ao pote!
A galerinha fica doida pra gravar, e começa a criar esses “bichinhos”! A ansiedade do locutor novato – ou do antigo, mas que é “fominha” mesmo – gera uma fábrica de fazer picareta. De engana trouxa. Ou de brincalhão.

Nunca, nestes meus vinte e seis anos de profissão, num mercado grande de locução, como o Rio de Janeiro, vi surgirem tantos estúdios e produtores! Resta saber, para onde vão as vozes das “demos” enviadas pelos candidatos a serem a NOVA VOZ.
O coleguinha sabe que dá pra editar a voz que você enviar, assim como no bilhete de resgate, não sabe?



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